Como pega e previne
O nome KPC na realidade é de uma enzima produzida por um grupo de bactérias, das quais a principal é a klebisiela, que tem o poder de destruir grande número de antibióticos. O nome “superbactéria” foi atribuído a ela pelo fato de ser proveniente de uma bactéria que desenvolve mais resistência aos antibióticos e tem grande facilidade de se transmitir no ambiente hospitalar e causar surtos de infecção hospitalar, explica Carlos Magno Fortaleza, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
- A klebisela é uma bactéria que faz parte do nosso intestino, mas as bactérias com frequência adquirem um pedaço de material genético que passam de uma bactéria para outra. Uma certa linhagem da klebisela adquiriu um pedaço de DNA que produzia essa enzima. Além de se reproduzir, essa bactéria, que carrega esse DNA, acabou fornecendo para outras espécies.
O que causa a infecção, explica o professor, é quando a bactéria alojada no intestino chega a outras partes do corpo, pode infeccioná-las, causando doenças. Por exemplo, se chega ao pulmão causa pneumonia e a pessoa pode morrer.
- As infecções hospitalares acontecem quando algum procedimento médico faz com que bactérias que estejam muito quietas invadam outros lugares onde não deveriam estar. Seja porque a pessoa fez uma cirurgia, ou precisou de um aparelho para respirar, de alguma maneira se quebra a ecologia daquele organismo e a bactéria sai de onde ela estava sem provocar nenhuma doença e acaba atingindo um lugar onde ela provoca uma doença.
Essa lógica que serve causa uma série de infecções bacterianas, é a mesma da kpc, explica Fortaleza.
- A diferença da kpc para outras klebisielas é q ela é mais resistente a antibióticos, não porque ela mata mais.
Vale lembrar que a infecção por KPC geralmente ocorre em pessoas já com a saúde debilitada. Isso acontece, segundo o professor, porque elas passam mais por processos invasivos, seja cirurgia, uso de sondas ou aparelhos, que ajudam a bactéria a “correr pelo corpo”, afetando órgãos mais sensíveis. Ao mesmo tempo, tomam mais antibióticos por estar em algum tratamento, já que estão hospitalizadas.
Tratamento
A kpc já é identificada no mundo desde 2001, quando apareceu nos Estados Unidos, segundo a Anvisa. O que chamou a atenção nesse ultimo ano foi que ela passou a surgir com uma grande frequência em alguns locais do Brasil, principalmente no Distrito Federal e em alguns hospitais de são Paulo.
Como prevenção, os hospitais tiveram de isolar os pacientes e aumentar o rigor da higiene dos profissionais, com uso reforçado de soluções de álcool em gel antes e depois de mexer em pacientes, além dos já recomendados usos de luvas e aventais, explica o infectologista Luis Fernando Aranha Camargo, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Em outubro foram notificados três casos em pacientes do hospital. Todos foram isolados para conter a proliferação, conta Camargo.
Dado o diagnóstico, o tratamento ocorre de acordo com a gravidade da infecção, afirma Camargo.
- Se o paciente tiver somente a bactéria colonizada você não faz nada. Mas se ele tem a doença, você tratará de acordo com a manifestação clínica dela. Hoje poucos antibióticos são eficientes.
As polimixinas são exemplos, mas por serem muito tóxicas, estão abrindo caminho para outros antibióticos apesar de serem muito tóxicos.
- A gente faz o máximo possível para não usar as polimixinas, mas a maioria usa. O uso por pelo menos dez dias pode causar insuficiência renal, escurecimento da pele e em alguns casos modificar quadros neurológicos.
O medicamento é usado por pelo menos uma semana em casos mais leves e até um mês em casos graves. A média de desenvolvimento de uma insuficiência renal pode chegar de 30% a 40%, explica Camargo.
As polimixinas são exemplos, mas por serem muito tóxicas, estão abrindo caminho para outros antibióticos apesar de serem muito tóxicos.
- A gente faz o máximo possível para não usar as polimixinas, mas a maioria usa. O uso por pelo menos dez dias pode causar insuficiência renal, escurecimento da pele e em alguns casos modificar quadros neurológicos.
O medicamento é usado por pelo menos uma semana em casos mais leves e até um mês em casos graves. A média de desenvolvimento de uma insuficiência renal pode chegar de 30% a 40%, explica Camargo.
Matéria de: Camila Neumam, do R7 no endereço: http://noticias.r7.com/saude/noticias/superbacteria-se-alastra-e-chega-a-metade-dos-estados-do-brasil-20101219.html
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