11 de fev. de 2011

A melhor maneira de prevenir o glaucoma

  • A melhor maneira de prevenir o glaucoma

  • O glaucoma pode ser definido como uma doença traiçoeira.
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O glaucoma pode ser definido como uma doença traiçoeira. Isso porque se desenvolve de maneira silenciosa, sem sintomas (na sua forma mais frequente) e pode enganar tanto quem sofre dela quanto especialistas, conforme a oftalmologista Cláudia Galvão, membro da diretoria da Sociedade de Oftalmologia da Bahia (SOFBA).

“A doença afeta as células do nervo óptico, que liga o olho ao cérebro, interrompendo a transmissão do estímulo e, por consequência, da visão”, explica o oftalmologista João Prata Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma. “Na maioria dos casos, causa aumento da pressão intraocular (de dentro do olho). Tem exceções, mas de forma geral, é bem lenta, prejudica o campo de visão progressivamente. Vai ‘comendo pelas beiradas’, afetando a visão das bordas do olho até chegar ao centro, podendo levar à cegueira”, completa Cláudia.

Prata afirma que a pressão intraocular nem sempre está presente quando há glaucoma, assim como nem todos que têm essa pressão aumentada irão desenvolver a doença. Esse é o principal fator de risco, mas o especialista ainda cita a raça (especialmente a negra), a idade (entre 50 e 60 anos), casos de miopia, traumas no olho e, principalmente, a presença da doença na família, entre outros fatores que podem levar ao glaucoma. A incidência da doença, estima-se, é de 2% na população mundial e, no Brasil, de 11% a 12%, de acordo com Cláudia.

Segundo a especialista, existem mais de 40 tipos da doença, como o congênito (aquele com o qual a criança já nasce) e aqueles desenvolvidos na infância, na adolescência ou fase adulta. O problema também pode ser causado por outras doenças, como o diabetes. “E há os glaucomas primários, que são os mais comuns e dos quais não se conhece a origem. Há dezenas de tipos. O médico precisa olhar o paciente como um todo, além de contar com um armamento de exames e equipamentos, para conseguir identificar”, diz a oftalmologista.

No que diz respeito à prevenção, Cláudia afirma que existem estudos para uma vacina contra a doença, mas é algo para o futuro. O ideal é que a pessoa seja avaliada sempre enquanto ainda está saudável para, assim, os médicos fazerem com que a doença se desenvolva mais lentamente, de forma até imperceptível. Não é possível evitar seu surgimento.

“É preciso conscientizar a população da importância do exame oftalmológico de rotina após os 40 anos de idade, tendo em vista que somente o oftalmologista pode detectar a presença do glaucoma” conclui Prata. Quem não tem fatores de risco deve fazer a avaliação do glaucoma anualmente, junto com os demais exames de praxe para os olhos. Se houver casos da doença na família, deve-se consultar o médico até a cada seis meses, dependendo do caso.


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Pressão intraocular não é o mesmo que pressão arterial
Como é o diagnóstico e o tratamento do glaucoma


Pressão intraocular não é o mesmo que pressão arterial
 
A pressão interna do olho é o principal sinal da presença do glaucoma. Mas, é importante esclarecer que é algo completamente diferente da pressão sanguínea. É causada por um desequilíbrio entre a produção e o escoamento do líquido presente dentro do olho. “Em alguns casos, o escoamento é muito lento e a pressão do olho sobe. A relação entre a pressão arterial e a intraocular é que, se ambas estiverem presentes, juntamente com o glaucoma, pode haver trombose ou hemorragia no olho”, observa a oftalmologista Cláudia Galvão.

O oftalmologista João Prata Jr. afirma que, basicamente, a pressão intraocular normal é abaixo dos 22 mmHg. “Mas, há casos de glaucoma com pressões estatisticamente normais, bem como situações com pressão alta e sem a doença. Níveis acima de 30 mmHg requerem atenção especializada” alerta o médico, que ainda afirma que questões como a alimentação ou, até mesmo, forçar os olhos não influenciam no aumento dessa pressão. “Sabe-se que o exercício físico proporciona redução da pressão intraocular transitória”, completa.

Como é o diagnóstico e o tratamento do glaucoma
 
Avaliações clínicas estão entre as principais ferramentas para que o especialista diagnostique o glaucoma. “A doença é detectada pelo oftalmologista durante o exame oftalmológico. São muito úteis os testes do campo visual e documentação fotográfica do fundo de olho”, explica o oftalmologista João Prata Jr.

A oftalmologista Cláudia Galvão explica que, para ter certeza do diagnóstico, o médico tem que analisar qual função do nervo ótico está sendo afetada. É preciso, ainda, avaliar em quais contextos ocorre o aumento da pressão intraocular. “Se a pessoa for jovem e a pressão estiver alta, é preciso detalhar o funcionamento ao longo do dia, sob estresse (como colocar a cabeça para baixo, em ambiente escuro), provocar com testes funcionais”, afirma a especialista.

“Para dar o diagnóstico e fazer acompanhamento é preciso montar um quebra-cabeça, com vários testes funcionais e anatômicos. Às vezes, poucos bastam para detectar o problema. Em outros casos, faz-se muitos exames e ficam dúvidas. E o médico tem que continuar investigando para ver se encontra a peça que falta”, completa Cláudia.

O glaucoma não tem cura e também não é possível reverter os pontos de cegueira que vierem a acontecer, mas há como controlar a doença. “Existe tratamento efetivo para evitar a progressão do problema, que consiste em reduzir a pressão intraocular, seja por meio do uso ininterrupto de colírios ou com cirurgia a laser ou convencional. E, vale ressaltar, o tratamento é para toda a vida”, conclui Prata.

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